A Revista GESTÃO SOCIAL (revista do FONSEAS), em sua edição comemorativa, responde ao desafio de compor a rede nacional de educação permanente do Sistema Único de Assistência Social. A primeira iniciativa de difundir os posicionamentos políticos e as contribuições teóricas do FONSEAS se deu na VIII Conferência Nacional de Assistência Social, quando lançamos a primeira edição da revista. Agora, renovada e ampliada, lançamos a edição Gestão do SUAS, com o objetivo de pautar questões centrais do pacto federativo no aprimoramento das dimensões que qualificam o próprio sistema unificado, contribuindo na expansão dos direitos, na erradicação da pobreza e na direção de uma sociedade igualitária.

O estágio atual de implementação e de qualificação do SUAS, particularmente no contexto da estruturação da gestão do trabalho e de uma Política Nacional de Educação Permanente, requer a criação de mecanismos que disseminem conhecimentos e aprimorem os instrumentos de gestão. Queremos, com isso, valorizar as iniciativas exitosas e permitir a interlocução crítica e criativa entre gestores, trabalhadores e conselheiros das gestões estaduais e do Distrito Federal.

Nesta edição, contamos com valorosas contribuições de gestores e intelectuais da área. Abro nossa Revista posicionando a posição estratégica dos estados na erradicação da pobreza e na consolidação do Suas. A Secretária Nacional, Denise Colin, aborda a questão da intersetorialidade na agenda política nacional e os desafios presentes, no contexto de importante legitimidade da assistência social na proteção social brasileira. A professora Joaquina Barata parte do paradoxo entre a regressão, potencializada pela crise econômica mundial, e os avanços civilizatórios, pavimentados por uma dimensão ético-política na construção dos sistemas de proteção social, na direção emancipatória.

A professora e ex gestores da assistência social em São Paulo, Aldaíza Sposati, problematiza a questão da proteção social à família pela política de assistência social, sobretudo pelas evidências de retrocessos no que chama de “familismo”, em contraposição às perspectivas que reduzem proteção social como acesso ao mercado. As análises sobre os desafios do controle social fica por conta da Presidenta do Conselho Nacional de Assistência Social, Luziele Tapajós, que contextualiza avanços normativo-jurídicos e, sobretudo, políticos, na agenda democrática. Já a Secretária Tania Garib e Taciana Atantes tratam da gestão financeira do SUAS, localizando as reponsabilidades compartilhadas entre as esferas de governo, particularizando a esfera estadual.

Para tanto, compartilham a experiência do Estado do Mato Grosso do Sul. Sobre a temática da gestão do trabalho, Jucimeri Silveira aborda os desafios da estruturação da área e do papel dos estado. A revista oportuniza a interlocução política e técnica entre os estados. Além da experiência do Mato Grosso do Sul em gestão financeira, apresentamos o relato de prática em gestão do estado do Ceará, que aborda a relação entre monitoramento e a erradicação da pobreza. É justamente sobre o “Plano Brasil Sem Miséria”, a posição mundial do Brasil na agenda política da erradicação da pobreza com desenvolvimento social, e a contribuição estratégica da assistência social na implantação de Planos Nacionais, como o “Viver Sem Limite” e “Crack é Possível Vencer”, que registramos as opiniões das Ministras Tereza Campello e Gleise Hoffmann.

Desafios que tratamos no contexto da implantação da nova NOB, assinalados por Simone Albuquerque. O caráter científico da Revista e sua produção sistemática dependem da adesão progressiva do conjunto de sujeitos significativos do SUAS, especialmente de gestores e equipes técnicas das Secretarias Estaduais e do DF, além das Universidades, especificamente dos programas de pós-graduação. Por isso, participe das próximas edições encaminhando ao conselho editorial seu relato, ensaio ou artigo.

Nossa expectativa é contar com sua participação e sua prática no movimento conjunto em defesa de um projeto político que consolida a assistência social em seus atributos de política pública não contributiva, democrática e estratégica na ampliação da proteção social brasileira.

Boa leitura!
Maria Aparecida Ramos
Presidenta do FONSEAS